Thursday, April 14, 2011

Thoughts on the Realengo Girl Massacre, by Valéria Fernandes of Uma Voz Feminista

photo of Valéria Fernandes is from here

What follows was sent to me and was translated into English by Lauren Asrael. Underneath that is the original text in Portuguese. I want to thank Valéria and Lauren for their feminist activism.

Lauren provides this preface:
Last Thursday morning, a 24 year old man entered a public school in Realengo, a suburb of Rio de Janiero, Brazil. A former student, he told the staff that he was there as a guest lecturer.

He entered a classroom, pulled out his gun, and shot over twenty students, mostly girls. Wellington de Oliveira killed ten girls and one boy, and wounded thirteen girls and three boys. He shot the girls in the head and the boys in the arms and legs, telling one boy, “Don’t worry, fatty, I won’t kill you.” The media refuses to call this a misogynist crime or a hate crime and continues to use the word ‘alunos’ (male students in Portuguese) when talking about the girls and boys. The girls and boys murdered and wounded were between the ages of 11 and 13. Wellington de Oliveira shot himself. He left a suicide note about sexual chastity and purity.

This is a response to the shooting and the sexism by Brazilian blogger Valéria Fernandes of Uma Voz Feminista.


Thoughts on the Realengo Girl Massacre

Valéria Fernandes
I’m writing this with anger and resentment. The crime in the Realengo public school, eleven ‘alunas’ dead – yes, female students – because it was ten girls and just one boy, leaves me deeply saddened and bitter. We’ve made it to the First World, we now have our own version of Columbine. The number of girls murdered compared to boys (10-1) and wounded compared to boys (13-3) leaves my hair standing on end. The suicide note, full of religious cries (Christian, not Islamic, as some were hoping) of sexual chastity and purity leaves no room for doubt. This was a misogynist hate crime. It is reminiscent of the shooting at the University of Montreal in Canada and at the Amish school in the United States.

In 1989, in Montreal, a guy entered the Polytechnic School, went into an engineering classroom, pulled out a gun. He separated the women from the men and said he was fighting feminism. He shot nine of the women, six of them died. In his suicide note was a list of famous feminists he wanted to murder.

The case of the Amish school is more recent. In 2006, a guy entered an Amish school (doesn’t this just remind you of the film “Testament”?) held a class of students hostage, kept the girls at gunpoint, let the boys go. He killed five girls, and had meant to kill them all, but when he saw the police coming he shot himself.

Someone please tell me where you can find a classroom (excluding Nursing school) with ten girls to every boy. I’m a teacher, and this may true for some schools, but it was not the case in Realengo. Some are saying, “he shot more girls than boys because girls sit in the front row.” I teach teenagers, and I can tell you that both boys and girls sit in the front row.

I just do not believe he shot randomly. I don’t think anyone is at fault – this is not something you would ever imagine happening in a Brazilian school. No one can buy guns that easily unless they are involved in organized crime. I am praying that this does not become a trend. I sincerely believe this was a misogynist hate crime, and the patriarchal view that hides the number of female victims – girl victims, is deeply offensive. I can only hope that the wounded survive and do not join the numbers of the dead.
Here is the post as it appears on the blog of Valéria Fernandes from 7 April 2011. Please click on the title to link back to her blog.

Minhas Considerações sobre as Meninas Massacradas em Realengo



Estou abrindo esse post por pura especulação e indignação. Primeiro, o crime da escola em Realengo, as 11 alunas mortas, sim, no feminino, porque foram 10 meninas e 1 menino, me deixaram profundamente triste e amargurada. Agora, sim, estamos no primeiro mundo! Temos nosso Columbine... ou algo do gênero. Em segundo lugar, as proporções de 10 meninas para apenas 1 menino entre os mortos e de 13 meninas feridas para somente 3 meninos feridos, me deixaram de cabelo em pé. A carta do assassino, carregada de surtos religiosos (*cristãos, não islâmicos, como muita gente começou a inventar*) e sexuais sobre castidade e pureza, me deixou muito, muito desconfiada. Para mim, e estou fazendo essa afirmação sem nenhuma informação posterior, trata-se de um crime de ódio. Ofereço, para quem duvida, dois outros crimes semelhantes em números: o da Universidade em Montreal, no Canadá e o da Escola Amish, nos EUA.

Em 1989, Montreal, um sujeito invadiu a École Polytechnique, entrou em uma sala, rendeu todos, separou homens de mulheres e disse que estava lutando contra o feminismo. Atirou em nove moças, matou seis. Deixou uma carta de suicídio com uma lista de “feministas” que queria matar. O caso da escola Amish é mais recente. Em 2006, um sujeito invadiu uma escola Amish (*Lembram do filme A Testemunha?*), tomou uma classe como refém, liberou os meninos, ficou com as dez menininhas. Matou cinco, e não terminou o serviço, porque ao perceber a aproximação da polícia, ele se matou.

Agora, alguém me diga qual escola do Rio de Janeiro ou de qualquer lugar do Brasil que não seja curso normal, enfermagem (*e aqui pode nem ser*) ou algo semelhante que tenha uma proporção próxima de 10 meninas para cada 1 menino em sala. Eu lecionei em curso normal e a proporção chegava perto disso. Esse não era o caso da escola do Realengo. Contudo vem alguém e me diz que temos estes números, porque as meninas sentam na frente. E, sim, ninguém se mexeu. Eu dou aula para adolescentes, posso até ter mais meninas na frente, mas a proporção é quase meio a meio.

Desculpem, mas meu desconfiômetro está ligado aqui. Não acho que existam culpados. Não é algo que se espere que aconteça em uma escola brasileira, ninguém pode comprar armas de forma indiscriminada neste país salvo se estiver envolvido com o crime, e torço para que não tenhamos ninguém imitando o criminoso em outras escolas por aí. Eu realmente acredito que ocorreu um crime de ódio e o uso do masculino, o suposto universal, que esconde o número de vítimas mulheres, meninas, na verdade, é ofensivo. Torço, também, para que nenhuma das feridas morra e estou incluindo os três meninos.

Quanto ao assassino, era alguém que sofria de transtorno mental. Deveria estar internado, mas o Estado abriu mão de tratar de forma adequada os doentes mentais, para cortar custos. Claro, que tudo é disfarçado em belas teorias que dizem que é melhor o paciente estar com os seus familiares... Sei! Nem sempre isso é possível e/ou aconselhável. Eu defendo o tratamento humanizado, que hospitais psiquiátricos não pdoem ser prisões, no entanto, é preciso dar todo o apoio especializado aos parentes e ao paciente. Isso, o Estado não tem feito. Eis a minah crítica. Outra coisa, vi gente especulando que o policial executou o sujeito. Armado do jeito que ele estava (*vi a foto dele morto no jornal O Dia, com os carregadores em volta do corpo. Se abrir, está avisad@!*), se o policial o matou, fez o que deveria ter feito naquelas condições. Não lamento isto, eu lamento, sim, pelas crianças. E que me chamem de fascista se quiserem, pois assumo integralmente o que digo. Cabe agora investigar como o sujeito conseguiu as armas, tanta munição e os carregadores rápidos (speed loaders). Qual o significado do seu traje imitando a indumentária militar? E o conhecimento e o treinamento que, apesar de ser mentalmente doente, ele certamente possuía? Isso, sim, é importante!

O relato de uma das meninas sobreviventes (*1-2*) só reforça que o criminoso tinha um modus operandi. a cosia foi planejada e ele escolheu matar meninas. Meninas mesmo, já que ele entrou e a primeira pessoa que encontrou foi uma professora.

1 comment:

JENNIFER DREW said...

What??? So apparently this latest incident of deliberate femicide happened because the male femicide murderer killed 10 girls and 1 boy because the 10 girls were 'sitting targets for him' These girls were all supposedly sitting at the front of the class and that made them easy targets for the women-hating male murderer. So why then did this women-hating male murderer say to a male 'don't worry fatty I won't kill you.' Was it because this women-hating male likes large male bodies - I've no doubt that will be used to excuse/minimalise these latest femicides. Or was it because the women-hating murderer didn't hate males only those supposedly dehumanised beings - females?

No we mustn't even consider the idea that another women-hating male has committed femicide because that would be too much for our male supremacist society. Remember misogyny doesn't exist because it is just individual males engaging in 'humour' at the expense of women and girls.

No it was x,y or z because male supremacy will not and cannot accept the reality that innumerable males do hate women and increasing numbers of males are committing femicide, meaning males are deliberately murdering women and/or girls because of their sex. Let me put it more clearly - males who commit femicide do so because they hate females and their only reason for murdering a female/females is because she happens not to have been born male. As though being born male means the individual is automatically accorded the default human status. Oh but I forget it has and is awarded to males because they are the default humans.